sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sobre músicas e filmes brasileiros

Se me perguntassem agora qual é o meu filme preferido, eu diria sem pestanejar: Sexo, amor, traição.
E eu sei que tem um milhão de filmes melhores e preferidos na minha vida. E aquele outro brasileiro que eu vi no Paço é o maior de todos, mas hoje seria esse. Por tudo. Pelo Caco Ciocler, que a amiga não me leia, pela Mallu Mader e pelo Murilo Benício. E porque me lembra uma época muito boa da vida. E porque foi, que eu me lembre, um dos primeiros filmes que eu vi no cinema como uma mulher independente que acabava de entrar na adolescência. Me senti transgredindo alguma coisa que nem sabia o que era. Só importava estar transgredindo algo. Mas lembro que morri de vergonha de várias cenas.

E até hoje eu adoro a cena da Alessandra Negrini, jogada no piano, bêbada, arrasada, cantando "eu marquei demais, tô sabendo". Várias vezes me identifiquei e cantei a porcaria dessa música,fazendo qualquer atividade doméstica ou simplesmente filosofando sobre a inutilidade da vida numa janela de ônibus. Embora achasse que no filme eu era a Mallu Mader, tive em várias etapas desses meus vinte e poucos anos uma vida de Alessandra Negrini com uma amiga como a Heloísa Perissé. Aliás, a cena das amigas assistindo um strip do lindo e gay personagem do Marcelo Antony pra fazer ciúmes nos imbecis do prédio da frente é memorável.

Romances e enredos e memórias infantis à parte, o melhor do filme é, sem dúvidas, a música da Luciana Melo. Ela faz sentido até hoje. Desde o inicial assovio até a última outra cena de cinema acontecer.




http://www.youtube.com/watch?v=V-EIFwYhs0k

quinta-feira, 30 de junho de 2011

"E há tempo para tudo debaixo do sol

...eu disse ao meu coração"

Porque há o direito ao silêncio e eu já disse isso sempre em conselhos aos outros e a mim mesma. Silêncio de deus, silêncio de amigo, silêncio de família, de sorrisos e de choros, de decisões e de crises. Silêncio pra ouvir o canto dos passarinhos e pra usar fones de ouvido. Silêncio pra não escutar o  mundo e pra não escutar a si mesmo. Silêncio pra se anular e silêncio pra existir. Silêncio pra não matar ou  silêncio pra morrer, em paz ou em guerra. Silêncio pra explodir. Silêncio pra implodir. Silêncio pra ter silêncio. Silêncio pra não fazer barulho pro vizinho de cama. Silêncio pra escutar a respiração do amante. Silêncio pra ouvir a própria respiração ofegante e se amar por dentro ou pra descobrir enfim outros amores. Silêncio pra fugir e silêncio pra encarar de frente e se aceitar e também pra aceitar. Silêncio pra ler. Silêncio pra cegar. Silêncio pra esquecer. Silêncio pra lembrar. Silêncio pra viver. Silêncio pra deixar. Silêncio pra nascer. Silêncio pra crescer. Silêncio pra seguir. Silêncio pra retroceder. Silêncio pra mudar. Silêncio pra sarar. Silêncio pra amar e desamar. Silêncio pra lutar e pra desistir. É justo que seja assim.

Mas há também o direito ao grito. Então eu grito, eu berro, e toco a campainha e saio correndo. Porque eu quero e tenho vontade.

Take time to realize

"imagine que no futuro as pessoas vão ler sobre nós
 e vão se admirar do jeito que a gente arrumou
pra não deixar de se amar"


De todas as vezes que fomos embora de nós sempre houve duas músicas, dentre várias, que me faziam querer retroceder. A primeira chama-se "Eu te amo", do Chico. O título é óbvio, o cantor, mais ainda. Depois dessa, quando voltávamos para casa e passávamos por crises, eu pensava nele também, em "Futuros Amantes" e no Renato com seu mundo que anda tão complicado ou aquela pergunta recorrente de "Vamos fazer um filme" ou, ainda, com seu descobrimento do Brasil: "estou pensando em casamento mas não quero me casar... sou um rapaz direito, fui escolhido pela menina mais bonita"...


Bem, eu não sou a menina mais bonita, mas sempre imaginei alguém escrevendo essa música pra mim desde que eu a ouvi pela primeira vez quando tinha uns dez anos. Não sou "a mais bonita" (pra lembrar outra do Chico), mas tentei ser a melhor menina, melhor amiga, melhor qualquer coisa que você poderia e merecia ter, nem que fosse pra me redimir daqueles três anos dos quais você tanto reclama durante o colegial. Essa foi uma das minhas inúmeras e (in)falíveis intenções. Elaboro sempre planos infalíveis, igualmente impossíveis.
Eu te faria ouvir todas essas músicas, o Renato é fácil, você adora, mas como você não gosta do Chico e seja essa a música que mais nos define, só vou te importunar mais um pouco escrevendo a letra, na prosa flui mais. Melhor cantar, talvez um dia eu cante, coloca lá no rádio e ouve, lê a letra se não quiser, é importante que  leia.

...
Leu? Bem, eu não tenho resposta pra nenhuma dessas perguntas, não quero mais pensar no why did we mess with forever, no que fiz ou que poderia fazer pra que fôssemos mais felizes, me respondo sempre que a gente foi o que dava pra ser, horas se esforçando muito, horas quase nada. Acho que o erro foi não saber a hora certa de cada coisa, foi inevitável, estamos cansados, mas quero acreditar que fizemos o melhor, não vamos falar em culpas. Estamos cansados, é só. Tudo bem, eu nunca gostei de disputar nada, sempre falei isso, nem faço questão de ganhar nada, nunca fui de ganhar muito mesmo. Eu só não quero mais olhar e ver que você tá insatisfeito, ou desapontado com a minha falta de tudo isso. Não quero me sentir errada, apesar de estampar na testa que eu sou assim porque gosto, porque se eu acerto e aí?Acaba? E depois? Eu gosto de trabalhos inúteis, refazer tudo, reler tudo, trabalhos sisíficos, tarefas hercúleas, mas não quero terminar, gosto de fazer só. Gosto sempre mais dos meus rascunhos, detesto a obra pronta, tá sempre tão mal feito. Sempre me identifiquei com a Penélope, mas cansei de esperar o inesperado. Estamos cansados, é só.

Eu só não quero que a gente acabe se odiando, seu medo era esse também e não é justo com tudo o que passamos. Eu sou muito difícil de lidar mesmo, você não tem culpa, então acho mais justo ser eu a fazer isso, já que a doida da relação sou eu, por isso disse que não estava desistindo de você, mas, sim, de mim e da minha mania de querer consertar o mundo. É um ato de covardia comigo mesma que requer muita coragem. Mais uma reflexão pra minha lista de paradoxos. Eu só estou cansada de dizer e de ouvir aquela frase tão banalizada, eu não gosto da banalizações de sentimentos importantes pra mim, embora diga "isso", ponto, isso não é um final, é continuativo, porque eu sempre fui de inventar a continuação das histórias. Mas isso nao importa. Droga, eu queria escrever pouco.
Bem,  eu só não quero fazer a gente sofrer mais com nossos erros e eu não sei fazer nada direito mesmo, aprendi que a coisa mais sábia é decretar falência antes de tentar qualquer coisa, o que vier depois é festa, mas você tem essa mania de discursos diretos e eu sou portuguesa e não sei fazer redação dissertativa. Eu gosto assim, você não tem culpa.

E eu não quero mais escrever, tá começando a ficar triste e era pra ser leve. Minha letra tá ficando feia. Só não fique triste comigo.  Um beijo, boa noite e boa sorte. Ouça a próxima música.

Manhattan Skyline




 Rascunho

"Rio de Janeiro, hoje é 23 do 3, como vão as coisas? de mês em mês eu me sento pra escrever pra você"...

Ao lado, como recado para si, um lápis.  Sempre quis usar essa música pra falar das coisas que eu não faço ou das infindas cartas que eu escrevo pra ninguém ler.  Ridículo.

Apaga, rabisca, rasga, olha o cinza, viaja até aquele céu.  arranha três canções, seca o objeto de cordas. - ondular adeuses. volta, senta,  escreve.

De novo.

sábado, 25 de junho de 2011

I wished that I could fly away...



 
 
 
 
 
 
My heart is drenched in wine

But you'll be on my mind

Forever
 I left you by the house of fun

I don't know why I didn't come



 
But I know in the end this will turn out wrong. See I've been known to fall in love, but sometimes love just is not enough.
And my heart will stray before too long. So please forgive me for when I sing this song.



sábado, 18 de junho de 2011

Notas de saudade a uma distante presença

L: A felicidade é   fascista, odeio isso"
C: você e  seu   humor de vanguardista obsoleta. Você não quer ser feliz?
L: Je suis chaotique. Eu só não gosto de   obrigações, Mussolini.
C:  Façamos  a revolução!
L: Detesto perder gente. Dizimar, então, me cansa.. 
Vamos tomar um café primeiro?



Do Sono

           
Separados pelo manto da tosse os dois estão lá. Os lençóis embalados no meio, enlaçados por um sem número de ânsias incompletas, soluções desgarradas, tensões de um dia inconcluído. Não era só a negação que os apartava: o desejo também separa, quando confessado num sussurro de quem some. Eles se deitam, mas é como se estivessem de pé. Uma respiração de fumante a distingue dele. Uma respiração de asmático o diferencia dela. Era como se a osmose de anos os tivesse largado somente com as seqüelas do desejo da unicidade.

Sem embargo, eles não tinham mais muito que trocar mesmo. Suas manias eram tão reciprocamente conhecidas que eles as expurgavam, despejando essas roupas velhas lixo afora, olhando com o desdém de um espelho quebrado. Ver pelos olhos do outro era um hábito orgânico e transparente. Acostumaram-se a isso como quem se acostuma com um filete de água infiltrada.

Acordam de manhã. Ela sempre alguns momentos antes dele. Ela o olha com o vigor do dia seguinte, vai pra cozinha. Ele, alguns momentos depois, torce os dedos sobre o peito, enquanto ela, na cozinha, já pergunta quando ele vai parar de coçar o mamilo esquerdo e começar a se arrumar pra sair. Dizem que a solidão acompanhada é melhor.

Ele olha pra todas as palavras benditas que descem pelo chuveiro, se arruma, coloca a gravata, o terno. Ela termina o café, toma seu banho diário de cosméticos, se arruma, coloca o uniforme. Sorriem. Separados pelo manto da tosse os dois estão lá. Ela abre a porta e sai. A maçaneta sempre trava quando fecha. Ele senta-se no sofá. Cabeça inclinada. A maçaneta sempre trava quando fecha. Dedo indicador nos lábios e um fragor de soluço nos cabelos. Ele nem saiu de casa, mas é como se já estivesse trabalhando. Aliás, o que nesta vida não é trabalho e casmurrice?

Abre a porta e sai.

(J. Campelo)

Porque toda leitura é autobiográfica e toda saudade é uma espécie de velhice.

domingo, 12 de junho de 2011

My maudlin carrer

Vou estabelecer um hiato aqui, já que se não pode estabelecer na vida.. De qualquer forma, não se fará notar a diferença.

This maudlin career has come to an end.

domingo, 5 de junho de 2011

Questões londrino-franco-portuguesas

hoje acordei meio Virgínia Woolf. Louca e suicida. retirem de mim qualquer paisagem aquífera, dispertem-me das visões de Orlando.
hoje sonhei que era Dinamene,  musa afogada camonianista - retirem de mim os poetas, o Tejo, Portugal, os Luíses de Camões - (não) deixem nascer o livro lusitano.

Deixem-me, enfim, ser Mathilde. 
 (mas retirem de mim os Soréis.)

Anticlímax

19/02/10
Um bonito dia acordou do lado de lá da janela. As nuvens pediram licença ao sol, nublando todo o céu, e pequenas gotas remanescentes da chuva da noite dançavam em poças de terraços vizinhos. Pássaros tímidos sussurravam que já era hora de levantar e viver o dia; e o silêncio da casa sugeria que hoje o dia era seu e que podia escolher. 
Entretanto, tudo que corpo e mente queriam fazer era voltar ao sonho e divagar sobre outra atmosfera.

Nova ortografia português-literária - Aula 2

Risca o chão de giz.

A face informe da forma informa a forma dismorfa da face. A forma disforme da forma formou-lhe a forma disforme da face.

Procura sentido naquilo tudo.

-  mas...você sempre mistura tudo! falávamos disso?! O que  Wilde tem a ver com a história?

     - Você precisa aprender a acentuar.

- mas isso são regras, e o Dorian?

       - Também são regras.

- de ortografia?!?

       - Acentue.

sábado, 4 de junho de 2011

Hiponímia - Aula 1

É simples como ler Ulisses todo de uma vez 
É simples como saber falar bom português.

Ex.¹: precisar|v. tr.


1. Ter precisão ou necessidade de.
2. Determinar, indicar, calcular de um modo preciso, com !exatidão.
3. Especializar, particularizar.
4. Não poder passar sem, não poder prescindir de.
v. intr.
5. Ter precisão de dinheiro e de tudo quanto é essencial à vida; ser pobre.
6. Carecer.


Ex.²: carecer | v. intr.
carecer (ê) - Conjugar 
v. intr.
Não ter o que é preciso.
______________________________

Elementar, meu caro amor, amar é simples. - interrogou-lhe.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Tinha um'ai'a no meio do caminho

... Era inevitável. O cheiro das amêndoas
 amargas lhe lembrava sempre
 o destino dos amores contrariados. 
(García Marquez)







Hoje, na sala 11062, houve um grande e profundo silêncio pelo destino de Carlos e Maria Eduarda. Nunca me esquecerei disso, que hoje, 25 de maio, por Maria e Carlos Eduardo, na sala 11062 houve um profundo e grande silêncio de lágrimas.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quanto do teu sal..

"Valeu a pena?"

Para que Álvaros, Faustos, Ricardos  pudessem nascer, quantos Fernandos,  Albertos,  Bernardos precisaram morrer?
Tem que passar além da dor

Que se foda o progresso.






...ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu
minha alma é pequena.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Séria constatação da vida¹

"Não fugimos, por mais que queiramos, à fraternidade universal. Amamo-nos todos uns aos outros, e a mentira é o beijo que trocamos".


[262]
"Cheguei hoje, de repente, a uma sensação absurda e justa. Reparei, num relâmpago íntimo, que não sou ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém".
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E ele, mais uma vez, acompanhando minhas dores. 


¹ Ao modelo Garota do Instante

domingo, 27 de março de 2011

sábado, 26 de março de 2011

Tudo sobre minha mãe.

Acorda com os olhos inchados.
- Que cara é essa? Passou a noite chorando? Que horas você chegou?
- Tarde.
- Brigou? O que aconteceu? Eu não sei porque vocês choram quando brigam. Eu nunca chorei quando brigava com teu pai. Ficar brigando por besteira e chorar. Ninguém merece isso. Ninguém. Vocês não aprendem.
- Não é isso, mãe..
- Eu não entendo vocês duas. Vocês tiveram oportunidade de serem livres, independentes, divertidas, criei vocês pra isso. Mas não, ficam aí chorando quando brigam.  Vocês não aprenderam nada comigo. Por que você não ficou? Por que você não foi embora sozinha? Melhor que brigar. Não tinha passado por isso e não tinha chorado.
- Não foi isso, mãe...
- Não entendo vocês duas. Ficam passando por isso. Não gostou? Vai embora. Ficar sendo submissa, tentar agradar. Ninguém valoriza isso, ninguém merece isso. Nem amigo, nem homem, nem família. Entendeu? Vocês não entendem. Vocês estudam, trabalham, mas não aprendem nada. Vocês não aprenderam nada comigo. Não entendo vocês duas.
- Não é isso, mãe.  Só tô triste, me deixa....
- Eu não entendo. Vai ser feliz! Podendo ser feliz fica aí perdendo tempo sendo triste. Não entendo vocês duas, não aprenderam nada comigo.
O telefone toca.
- Já tô indo. Vou trabalhar. Melhora essa cara. E vai fazer tuas coisas.
- Tchau. Mãe...

terça-feira, 22 de março de 2011

a uma anônima

Navegando por mares alheios, encontrei certa anônima que, comentando certo blog,  citou certo texto  que amo muito e que tem tudo a ver conosco (comigo e com a tal anônima). Segue abaixo o tal texto, segue abaixo o narrador de nossas vidas:

            LISBOA REVISITADA



NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço.  Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz!  Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

                              [Álvaro de Campos, 1923]



terça-feira, 1 de março de 2011

Breve diálogo sobre a sanidade

K: Entende agora o porquê da minha loucura?
M: Não, não entendo. A loucura é tua, não joga pra mim.







[Uma breve homenagem e uma declaração de saudade]

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Reflexões de ano novo

"(...) Hoje é o seu aniversário, e pode não ser o dia mais feliz do mundo, mas busque fazer com que os próximos sejam. Busque sabedoria que vem do alto. Procure soluções plausíveis e se não for possível não se abata. Brinque com os problemas e sorria. Encontre o amor que tanto deseja, se movimente e, por último, vá atrás dos seus sonhos. Não importa o que digam ou que falem, busque seus objetivos, mas somente os SEUS. Não deixe ninguém brincar com você. O melhor conselho que eu posso te dar é: Seja você mesma! (...)"
(Carta de aniversário - 14/01/2010)
______________

Porque hoje, com insônia, comecei a pensar na vida e constatei que meu ano está para começar realmente agora. Fui procurar coisas pra ler no computador e abri essa "carta" que meu namorado (na época, ex) me mandou no meu aniversário do ano passado, que, sem dúvidas, foi o pior que já passei.

Sem querer, comecei a fazer aquela retrospectiva que a gente costuma fazer no final do ano, mas que veio agora, porque lembrei que, antes da minha viagem de fuga, escrevi que estava com a leve sensação de que alguma coisa na minha vida iria mudar.

Pensando nisso, constatei que, realmente, em menos de quatro meses, minha vida mudou muito. O mais engraçado é que pros outros pode parecer que tudo voltou a ser como antes (e a sensação inicial, até pra mim, era essa mesma): Voltar pra casa, pro namorado, pra faculdade... Mas está tudo tão diferente, eu estou com a cabeça tão diferente, que a sensação é de que estou começando tudo novo, mesmo que de novo, como diz o Moska.

Olhei pra textos e fotos de um ano atrás e vi o caos estabelecido: 2010 também foi ano de coisas novas, pena que 80% delas muito ruins. Comecei o ano terminando um namoro. Fiquei mal. Fui excluída da igreja por falta de assiduidade. Larguei de vez. Conheci gente nova. Fugi pra uma cidade desconhecida, pra ficar na casa de gente desconhecida. Foi minha primeira viagem sozinha. Voltei. Fui pedida em casamento. Não aceitei. Enlouqueci. No meio disso tudo, fiz uma formatura fake, num momento que não podia ser pior.

Perdi a vontade, desanimei comigo mesma. Perdi a paixão pelo que mais fui apaixonada na vida: literatura e música. Fugi dos meus amigos. Tranquei a casa. Deixei os livros empoeirarem. Entrei em depressão.Emagreci. Entrei pra uma igreja que eu sempre critiquei. Desisti. Surtei. Fui pela primeira vez ao psicólogo. Não voltei. Larguei a faculdade. Cortei o cabelo. Viajei sozinha de novo. Pra fugir de novo e pra pensar na vida. Passei mais de um mês fora. Voltei pra casa. Voltei pros amigos. Voltei pro namorado. Tomei meu primeiro porre. Fiz mechas claras no cabelo. Daí 2010 finalmente acabou, graças a Deus, e que descanse muito bem longe de mim.

2011. Comemorei meu aniversário. Foi MUITO feliz. Tive a primeira crise histérica de TPM, quase provoquei um acidente. Fiz trilhas. Fiz a primeira viagem sozinha com o namorado, depois de anos. Voltei pra academia. Entrei pra um curso de revisores. Vou ser tia. Ganhei de presente do acaso uma cachorrinha linda. E agora estou voltando pra faculdade, mas mudei um pouco de área, tentando ser prática.

O ano começou e, realmente, mais do que "algo" mudou. Várias coisas em mim mudaram. Mudei meu jeito de lidar com algumas coisas. Sem perceber, acho que consegui seguir quase que piamente todos os conselhos da carta, no que tem de bom e de ruim, com os mesmos personagens (acho que o autor da carta não esperava por isso) e, basicamente, o mesmo cenário, porém, e aí está toda a diferença, com ângulos de filmagens diferentes.

Aí me lembrei de uma frase do Pessoa - para quem também voltei -, que já usei em outra ocasião, mas que, também, agora apareceu sob outras circunstâncias:
"A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias".

Que venha 2011 e que seja bom. *faz uma prece*

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O sentimento do mundo

Olhando nas ruas, assim, de repente, você se dá conta de que a sua tristeza mais particular, seu conflito mais pessoal e todo existencialismo de suas crises nada mais são do que a mesma dor de toda gente.



Ainda assim, é tudo só seu.