sexta-feira, 29 de julho de 2011

As vitrines de desde que o samba é samba

....


A: Mas ser grande também significa render-se. Então, ser grande é ser tão escravo quanto ser pequeno. 
     B:  eu sempre procuro fazer mosaicos dos fragmentos que me passam. é aquela coisa da velha senhora, a maldita personagem sempre volta.
A: Isso! Com certeza!!! Eu gosto desse seu texto, mesmo com toda sua preguiça de terminar...
    B: e ela acaba aprendendo a gostar dela, mesmo querendo fugir,  se apega ao seu inferninho e abraça a tristeza (não era pra terminar, não termina nunca)
A:  é...
B: o foda é isso.
    A:  Exatamente! Até porque ela não pode fugir de si sem aceitar  a outra.
B: eu aprendi a gostar dela. quer dizer, não gostar, mas a gente se aceita, até porque ela é bem mais parceira que a tal felicidade, que foge  no momento em que você mais precisa dela ¬¬
    A: De quem, da velha senhora?hahaha

    B: é..
A: HAHA
           Bonito, isso aí que tu falou!

   B: mas não é verdade?

A: É sim...

    B: a velha é parceirona, ela até te dá uns sambas! a nova sabe que é nova, bonita, e só quer saber de si mesma. tu não faz merda nenhuma de útil com ela.


A: É mesmo! Ser feliz, em última instância, é desejar o egoísmo descomedido.
    B: pois é.tudo vira bosta, já dizia a Rita.
A:  rs, você e sua mania de ter sempre uma música ou texto pra tudo, muito figurinha! 
    B: se todo mundo fosse feliz esse mundo seria  fascista. fato. (é porque cantando eu mando ela embora -  eu não escrevi pensando nessa música, mas cabe sempre uma né? : 'p)

A:  ahah! ótimo isso, cabe, vou guardar pro seu livro que você nunca vai escrever.
     B: Eu já disse, só gosto dos aforismos e dos afins. não sei nem quero fazer livro. você, se quiser, que escreva, pra dosar a tragédia ou o oposto. :) não sou eu o escritor da situação.
A: é, eu 'cato a poesia que entornas no chão'. Sua preguiçosa! Merecia uma surra de vara.
    B: numa fazenda de trabalhos forçados?
A: é, eu tenho que ser o Mussolini sempre né?
B: hi hitler! muito pior. alguém tem que fazer  o trabalho sujo, né? (você e o Chico). 
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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Minha vida sem Dora ou uma pausa do café



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- . Não sei porquê, mas algo me diz que você tá se divertindo com isso tudo... Eu achei que era raiva ou estresse ou mágoa ou tudo junto. É que eu não consigo te acompanhar, demora.
: Mas é claro, eu tenho que rir, ué, tem algum motivo pra chorar nisso tudo? Eu acho  um espetáculo. Acho, de ter que achar ou fazer. Quando eu realmente estiver desse jeito que você acha você vai saber. É notório demais pra passar sem ver. Mas não deixa de ser tudo junto. mas  também não é tanto de tudo.
....

    • - Dando uma olhada no que os outros estão fazendo... Nossa vc é bem atuante.

  • saudade também.muita.eu n sou. eu estou sendo.rs. é a solidão.

    • Mas, notei algo. Vc escreve bem. O acesso a toda essa literatura te ajudou ou vc já era assim antes de fazer letras?
    • - eu escrevia mais e lia mais antes

    • Hã! Truncou tudo?
    • a faculdade me tolhiu muito, acabei de escrever sobre isso. só agora tô voltando. se é que se pode dizer assim disso que tem acontecido.
    • - Na verdade vc lê mais hoje, mas o que não quer exatamente, pelo trabalho.

    • - mas como vc vê que eu escrevo bem?nunca te escrevi nada!

    • - Eu sinto poesia qdo vc escreve... eu acho. Nem todo mundo consegue isso e, tem volume.
    • (vc escreve como fala, muito)
  • nossa, obrigada, eu acho... não gosto nem gostam muito disso não. acho que prefiro os silêncios. me sinto menos ridícula.
    • - Claro eu não vi um texto literário seu, se cria uma boa história... mas jeito me parece que vc tem.
  • eu não escrevo textos literários




      • Ahã, tá bom. E como vc está o job?.. mais acostumada com a galera e com o clima?

    • to. me sentindo mto só
      • os dias n estao felizes. e voltaram aquelas dores. pensei em te escrever. tava lembrando da rory outro dia e lembrei da cena q ela vai pro psicólogo e diz q n pode mais tomar café, e adora café.


        • - Nem me fale. Eu estou emagrecendo sem meu café da tarde...
          - Eu não posso gostar de café, mas eu sinto falta do meu pãozinho...
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          P.S.: Ela amou um fofo romântico, um estúpido, cheio de crises e metido a inteligente, um canalha divertido metido a  um pouco de tudo. Amou,desamou, ficou só, largou tudo,pegou de volta e amou de novo e não foi amada e  enlouqueceu. se decepcionou e se livrou das brasas e pagou por querer ser ela mesma sem saber o que era isso. Terminou só e a plateia vaiou. Mas quem pode dizer que ela não foi feliz? Aliás, o  que é exatamente o contrário disso? 

terça-feira, 26 de julho de 2011

Das traduções vividas


eu apenas queria que você soubesse

Staccato


Um dia ela acordou e viu que não tinha mais nada em casa. Levantou-se e permaneceu sentada (a cama tinha-lhe sido roubada durante o sono). Olhou ao redor e estranhou as paredes, como se não fossem. E o sol que descia à janela parecia o mesmo, mas já não era mais o dela, era como algum raio que lhe havia sido roubado também durante a noite. Tocou com as solas dos pés no chão (roubaram-lhe as sandálias e as pontas sensíveis dos dedos) e mordeu a palma da mão. Cerrou os olhos pra ver se dormia de novo e acordava na casa de antes, com tudo intacto, o relógio de parede velho, a vizinha que reclama do gato fugido pelo corredor. As pálpebras tremiam umas contra as outras, brigavam entre si pela escuridão.

            As pessoas lá do térreo cada vez mais baixo. Sentiu o calor do suor provocado pelos raios de um sol recuperado. Tinha os olhos fechados, mais sentia os prédios se amontoando nas esquinas promíscuas daquela escuridão, eles gritavam mais alto enquanto as bolinhas luminosas pipocavam a sua frente. O gato miando na escada. Pobrezinho, deve estar com fome.

            Agora aquela era a casa sim. Mas aí já não era mais dela.


J. Campelo.



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(to be continued...

sobre intransitividade e infinitivos impessoais





Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. 
Ele é o humano que é natural, 
Ele é o divino que sorri e que brinca. (...)

E a criança tão humana que é divina 
É esta minha quotidiana vida de poeta, 
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta 
sempre, 
E que o meu mínimo olhar 
Me enche de sensação, 
E o mais pequeno som, seja do que for, 
Parece falar comigo. 

A Criança Nova que habita onde vivo 
Dá-me uma mão a mim 
E a outra a tudo que existe 
E assim vamos os três pelo caminho que houver, 
Saltando e cantando e rindo 
E gozando o nosso segredo comum 
Que é o de saber por toda a parte 
Que não há mistério no mundo 
E que tudo vale a pena. 

...

Ele dorme dentro da minha alma 
E às vezes acorda de noite 
E brinca com os meus sonhos. 
Vira uns de pernas para o ar, 
Põe uns em cima dos outros 
E bate as palmas sozinho 
Sorrindo para o meu sono. 

(...)


(A.C)
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eu pensei em mil textos pra te escrever, mil canções pra te cantar, mil vestidos pra usar quando você me visse pela primeira vez, mesmo sabendo que você nem saberia que eu estaria ali. mas eu não consegui nada, hoje eu sou toda declarações de falimentos. sinto que preciso aprender tudo de novo pra te ensinar direito, ou aprender contigo. eu sonho a verdade dos teus versos desde antes de tê-los lido. amanhã ou depois - talvez você já  tenha sabido antes de mim - eu te conto a história dessa flor que brotou sem semeadura. hoje não sei o que te dizer, só achei que tivesse que registrar esse dia. e eu te amo desde antes da invenção de todas as letras, mas é que às vezes eu acho que seu nome devia ser outro.
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e hoje todos os sorrisos e canções são pra você.

domingo, 24 de julho de 2011

o impossível carinho



de quando fui chuva

ao anjo mais velho,  com seis  lembranças de amor e ternura.

Dear G,

tenho pensado muito em você, tenho lido teus textos. Preciso dizer que senti uma saudade, seu nome: tanta. Imensa. Saudade do que fomos. Saudade do que fui. Saudade do teu olhar de ternura, de me aconchegar no seu colo, ouvir teus conselhos e me sentir pequena. Sinto saudade desse direito que você me deu de me sentir e poder ser pequena. Daí quando achei que estava grande você se foi, porque precisava cuidar de outras crianças e pediu que eu retribuísse teus cuidados com o mundo. Eu bem que tentei. muito. Nem todo mundo gosta ou entende, queria que você soubesse. Mas acho que até consegui passar algo, não como você me ensinou. Ontem, por exemplo, como uma vingança particular e infantil de outro anjo (que me tenta e não me guarda) voltei a beber teus conselhos e vi que você estava tão certo, sempre esteve. E  me fez profecias. Queria que  soubesse que elas se cumpriram. Todas. Exatamente do jeito que disse que seriam, no que tem de bom e de ruim. devia te odiar por isso. não sei porque a saudade.
Sinto falta de você dizendo que eu faço tudo errado. Que entendo tudo errado e que nem sempre é divertido ser tão criança, apesar de você sempre ter gostado tanto delas. Sinto falta das tuas explicações, porque sabia que eu pressupunha conclusões e você tinha que desfazer todas as minhas precipitadas certezas, que nem eram tão incertas assim, admita. hoje, daria todas aquelas certezas por qualquer metade de esclarecimento teu.. mesmo se um daqueles que eu custava acreditar. sempre concordamos que mentiras sinceras também interessam. ando tão confusa. tantas verdades confusas pra contabilizar, tantas.
Li sua carta de aniversário dizendo que eu era única no mundo. E você já tinha ido embora. Pediu pra eu responder, não consegui. Não consegui te explicar a minha ternura, acho que só agora entendo o poema do Manuel. Hoje não consigo expressar a minha tristeza. E como gostamos dos brasileiros, eu apenas queria que você soubesse que a minha não ficou na estrada ou no tempo presa na poeira e que a tua criança brinca nessa roda, e não tá gostando dela, porque teme os cortes das novas feridas. Você me deu tantos conselhos. Pra vida inteira. Os mais simples eu não soube seguir, a simplicidade é tão difícil, como disse uma clara, só é conseguida com muito trabalho. e eu tenho estado tão cansada! Eu apenas queria que você soubesse que sinto sua falta e que reli teus conselhos. E que, se sou assim hoje, é por conta deles. sinta-se culpado. ou satisfeito. dias atrás ouvi teu nome num bar. um bêbado querendo abençoar, algo assim. lembrei disso esses dias. deve ter sido por isso a saudade. na hora passou quase despercebido, talvez seja essa a raiz das coincidências. (continuo vítima delas, admito, é um inferno)
Talvez por isso, ontem,  voltei a fazer orações pedindo a tua guarda. não quero esse poder de leoa que você disse que eu tinha. tenho me sentido tão pequena. não sei como você só consegue cuidar. eu apenas queria que você soubesse.. que ontem eu precisei dos teus cuidados e fiz uma prece. mas foi uma prece tão baixa, fraca, sem forças.. quase um sussurro infantil e rouco. e eu apenas queria saber se do alto das tuas nuvens de terra você conseguiu ouvir ao menos um  pedaço de eco. não tendo ouvido, te escrevo. eu apenas queria que você soubesse: és  meu anjo em verso. serás sempre.



Um beijo daquela flor.








descobri essa música. elas sempre cabem aos pensamentos que te deixo. certas canções que ouço... você sempre disse... cabem tão bem dentro de nós.


"O impossível carinho" - Manuel Bandeira in Libertinagem.

sábado, 23 de julho de 2011

Take the box , you should be stronger than me, eu Amy



Estranho como tenho falado tanto dela ultimamente. Achei que fosse pela coincidência dos dias. Adoro como o vestido dela se movimenta..










Mas a minha preferida, em definitivo,  é essa, com toda a sua falta de gingado, como as músicas dela fazem tanta gente dançar? 




http://www.youtube.com/watch?v=3XKYZRuJEnU







P.S.:  Você ensinou que 19-1= 20. Só agora, tantos anos depois,  entendi a piada. é o que eu tenho agora.


.........

Às tepeêmicas


 
25 reais na manicure. e tô lendo o livro com nome de cachorro
        imagino  o porquê. mania de clarice de pegar livros pelo título. mas é o meu preferido.

tô achando chato. 25 reais, e eu faço tão melhor.
        credo. e eu choramingando pelo preço do dicionário.. 100 mil verbetes a menos e muitos reais a mais.tô  pensando em fazer um projeto culturalize  um letrando. vcs reclamam que eu nunca peço nada....
vou sair, ele sempre repara.
        só tenho uma palavra pra você. e é aff.
tá falando isso porque vc tem  o seu desde que aprendeu a andar. pode não ligar pra essas coisas.
      .tô falando porque nenhum vale o esforço. ele também repara, e pior,comenta. eu não tenho tempo nem de ir no médico resolver  gastrite que me causam. tenho direito de andar descalça e ainda pisar no lençol branco se quiser.
   como se você fizesse isso...
       pois é, uma flor né?ainda sou difícil, amarela e sem graça, não sei porque vc se cobra tanto.
     

.tava pensando
  reciprocidade pode existir?
           ,claro
 . mas plenamente?
  
                              ,mas,er...n tao reciproco
  era o q tava digitando rs
  . qnd vc diz eu te amo e a pessoa responde q ama tmb
  a intensidade do amor
  nunca vai ser igual
  é impossível
          , cada um ama de uma maneira,mas o sentimento é recíproco
 . pq cada um tem seu peso e sua medida
          , justo.
           cada um de nós é dois, e quando duas pessoas se juntam é raro que as quatro estejam de acordo... por isso que eu não respeito quem fala isso de forma tão banal. desrespeitando as palavras.
             Pessoa sabe das coisas, joile.
 . uhauhauha, pode usar isso?!
                             , pode
, mas  a palavra certa n é difícil, é raro

se quer mesmo fazer isso faz agora que tá "no começo" ainda, vc viu como foi dificil da outra vez e lembre-se de como é pra mim.. mas ele corre atrás de você, isso ajuda.


                                     , é,,,,ate agora não posso reclamar de nada,to até bem feliz =D (mas na maioria dos  casos isso só atrapalha ¬¬) e
 se ele  n corre atrás de vc é mais fácil ué   o problema é q vc ve q ele n corre atrás e vc que dá os passos em retrocesso.: =~~~~~ VCS AINDA AFIRMAM QUE EU FICO COM TODOS OS CARAS MAIS FOFOS?o negócio é pegar um bronco mesmo ¬¬
: o q?
 . Quero arrumar um emprego, me mudar e conhecer o amor da minha vida! SACO!
  

 : hauahahaaahhaahahha
  vai te ajudar
  leia a teoria do playmobil. muito grande.
  
: Taquei a merda no ventilador, como diria uma amiga. Morri do coração, ressuscitei e tive o melhor ano da minha vida! Engraçado. Pra mim é, pelo menos. :)

  
  

 


, ahahaahahaha, você não aguentaria. vc não sabe lidar com coléricos e sanguíneos, apesar de achar eles tão interessantes. gulosa. lê tanto Clarice e não sabe gritar... vc pode ficar com caras fofos,mas q sejam decididos a ficar com vc tbm, oras. não esses que não mordem nem saem de cima, quer dizer, nisso, eles são universais. e você acabou não comendo o chocolate suiço. silly girl.





  

  





sim, tenho razão em sentir saudades.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Perto demais - if it were true?


Querido estranho,

(sempre quis usar aquela frase da portman no filme closer, então, hello - love this movies, adoro ifs)


Você que me defendeu dos russos por esses dias, será que era você na estação de uma longínquo dia 6 à tarde? Você tentou descobrir comigo a Amerika daquele autor austríaco.. foi a  primeira vez que  não me importei de ter o território das minhas letras invadido..

hoje me lembrei daquela música da ... bem,  não importa nomes, nem me importa também o seu, mas "era você?"
se sim,  well...desculpa ter fugido. eu até gosto muito desse mês, mas naquele ano nada era bom. partimos para ver outras paisagens, mas, muitas vezes, embora eu finja fazer mil viagens, paro, penso, volto naquela estação.

e sendo um não, ou um sim, um talvez,  whatever: deixo um agradecimento.

e um beijo.




quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cidade dos Sonhos ou Ela não está tão a fim de você

Foda-se, Woody, você não vai me convencer a morar em Paris. E eu estou cansada dos seus filmes idiotas de gregos e de leitores românticoshipocondríacosneurastênicos que se refugiam em livros ou filmes ou nas vozes das próprias cabeças achando que vão ser felizes e só se ferram na vida. Eu não vou fazer como os nipônicos que resolvem ter 15 minutos de romantismo casando e valsando em frente ao Sena e depois vão pra casa e querem morrer ou matar. E eu vou pra Lisboa. Ou pra Mangaratiba. Whatever works. Qualquer lugar longe das suas frases bestas e de seus olhinhos de judeu triste. Eu gosto do Brasil, ou sou portuguesa, e sinto saudade e você não entende o que é.  E você nem leva literatura a sério, volte pros seus roteiros. Eu não tenho culpa se você só descobriu o Machado depois dos quarenta porque é um leitor preguiçoso e só lê livros de 37 páginas. E os simbolistas, sim, eles sabem de tudo. E o Brás Cubas chegou primeiro e você não vai me acabar de novo.

Eu não sou a rosa impúrpura do cairo e você não é o bentinho, deixe-me em paz e volte pra sua Manhatam Skyline, midnight in Chelsea ou na midnight bottle wave goodbyes shake hands que o parta. Volte pra hollywood e deixe meus literatos. Não meta nunca mais o bedelho onde não foi chamado. E seu filme é uma bosta. Desliguei sua tv. Não nos assistemos mais. Deixe-me cá. Vai-te daqui! Sim, vái-t, só a gente sabe conjugar assim. Você e seus anglicismos onde todos amam igual e preguiçosamente e só se inscrevem em cento e vinte páginas... Volte pro seu lar. Suma de mim e me deixe viver. Ou não deixe, mas eu não vou voltar pra Belle Epoque ou pros anos vinte por mais lindos que sejam. Tenho dito. E eu prefiro o Almodóvar!

E não te aceito como sócio do meu clube. Não tenho culpa se você nasceu aí e eu aqui e caímos nos roteiros de péssimos diretores.

E um pós-escrito: nunca admitirei que seu filme é lindo, nunca. não entrarei pra lista do "boca a boca", seus amigos daqui nem entenderam seu filme, só vieram ver os loirinhos e decidirem se vão pro Louvre ou pra Genóvia no próximo feriado. E nem sabem onde é Franca. meu tio walter já me falou sobre você: não reproduzirei da arte a tua sétima técnica.



aceno e adeus.


 e tirem essa música. toca lá um fado ou um frevo português.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito

"veio a canção lá no fundo da noite e da escuridão"

-  porque o instante existe e minha vida não está completa.


Três meninas e uma capa de trabalho. 21horas. Fim de período. Início do verão. Chuva. Oblíqua e dissimulada como as dos tempos de outrora.

 impressoras quebradas. 12 andares de impressoras quebradas. 15 ruas de xerox fechadas. um único professor espera o último trabalho atrasado. não há trabalho, só uma desculpa e dois silêncios.
guarda-chuva encontrado no fundo da sala de linguística. mangueira alagada. três meninas e um guada-chuva.

e água pelos joelhos.
banho de lama dos carros na radial oeste. uma chuta  poças e cansa de tomar banho pela metade.   "pensar incomoda como andar à chuva, o vento, parece que chove mais". sem poemas essa hora. "alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso". não hoje.  "a missa é um automóvel que passa". sem pena. não agora. mais banho de lama na radial oeste. primeiro palavrão.segunda ira. terceiros ais.

mangueira alagada. maracanã sem luz. um trem passa. muita escada.  goteiras e ar-condicionado, o primeiro do ano. muito frio. era o que faltava. não reclame antes do fim. segundo palavrão. terceira ira. quartos ais.

e livros molhados de um poeta de biblioteca - devido à mania das sacolas de pano.
presas na estação deodoro,  uma lança a faísca. abre um  livro: "chove, que fiz eu da vida?" - cômico. "trágico". "piegas" -  coincidência. destino. outro.   fecha, tenta de novo:  "ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia". um sorriso,dois  silêncios, outro é tarde. mais um trem. dá pra entrar, não não dá, mas é tarde.  "e cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça..." e menos trens na praça.
"até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe com o som de rodas de automóvel...".
 
Três meninas e uma capa de trabalho. vinte e três horas. Chuva oblíqua e dissimulada como nos tempos de aurora.
 
é tarde. chegou, não dá, tem que dar. tá cheio. não respiro. não reclama. imita arte, não, um programa. eu prefiro assim. o poeta conta como devia ter acontecido.... mas não aconteceu. eu prefiro assim. louca. sim, talvez.

muita dor nos joelhos.
"tão supérfluo tudo! nós e o mundo e o mistério de ambos". eu diria: "nós e a chuva, e o mistério dos anos". metida. audaz. um nada.

e apagam-se as luzes da igreja na chuva que cessa...
 
Sim, escolho essa.

última qualquer errata

o vazio é o meio de transporte pra quem tem coração cheio
cheio de vazios que transbordam seus sentidos pelo meio



E vou tomar biscoito piraquê de chocolate e comer suco de morango no início do período enquanto observo  pombo descendo as rampas do 12º como se fosse o aluno mais assíduo..

Que a solidão põe a gente doida.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O caso desinencial

Se sobrevivo, um dia  hei de ser alguém


Engraçado como todos os sete pecados estão no feminino, mas quem foi que se matou por ter inventado a bomba atômica?
Santos Dumont adorava brincar de aviãozinho e de fazer relógios bonitos até ver pra que começaram a usar seus bonitos e engenhosos brinquedos.
Che Guevara fez a revolução e depois foi embora pra Bolívia. Getúlio fez a única coisa que poderia fazer de decente na vida. Se matou.

 Ninguém lembra que as sete virtudes são todas femininas também, né? Claro que não. Importam os pecados, curiosamente  palavra masculina.

 Dos sete sacramentos, apenas dois são masculinos: o batismo e o matrimônio. A salvação é só pros judeus. Aí me vem Maquiavel dizer que é porque as mulheres não têm alma.
 Um professor de história, pregador da moral, que era casado mas que deu em cima de mim quando eu tinha doze anos só porque eu, aceitando uma aposta, acertei a frase de uma música pouco conhecida do Cazuza e dizia que ele era um porco chauvinista que só entendeu o que queria do Nietzsche  e do Schopenhauer, dizia que eu não poderia ir pro inferno (nem pro céu) por isso. Deve ter levado um chute  homérico um dia. Bem feito. E se dizia amante de Victor Hugo. Só se for  nos sentidos de hoje mesmo. Ou no sentido bem antigo. Melhor e clássico, como a hipocrisia de todas as épocas.

  Meu professor lindo, dos olhos mais lindos dos professores de olhos lindos do mundo, esse ser que acabou com a minha vida, só faltou chorar hoje quando eu disse que ele era mais preconceituoso e chato que eu, e por isso que eu não queria fazer mestrado, porque eu deixaria de gostar das coisas. Ele disse "não seja má comigo". Ganhou três rugas a mais  na testa porque não vai conseguir nunca mais conviver com a culpa de ter ferrado a minha vida  por ter  um dia simplesmente sugerido uma frase do Kafka e duas do Pessoa.
  Fraco. (se você estiver lendo isso, desculpe, deixe de ser um estressado, mas saiba que eu te adoro, apesar de você ser um destruidor de castelinhos de areia, ferrar meu pulmão com seu charmoso cigarro e ainda me mandar parar de reclamar da vida porque você está prejudicando minha saúde física, moral e cívica). Entretanto, ganhou duas estrelinhas quando disse uma coisa que eu sempre tentei dizer pro  mundo e ninguém entendeu: três motivos pra agora eu só escrever em tópicos - cínico, cético e breve. O que me lembrou outro professor da minha vida quando disse que o cinismo é uma qualidade intelectual. Incrivelmente, esses professores são amigos e ficam me empurrando pro outro dizendo: faz mestrado com ele e doutorado comigo. Dá vontade de largar os dois, não fazer porra nenhuma e dizer que eu não sou um saco de batatas e que o mundo acaba ano que vem, caso eles não saibam. (incrivelmente também, eles preferem Machado ao Eça, daí as batatas)

  Briguei com Shakespeare outro dia quando ele disse "fragilidade, teu nome é mulher". Mas depois descobri que a tradução certa era "teu nome é feminino", o que faz mais sentido, simplesmente por ser  óbvio. Não sei porque dizem que ele é gênio né? Simplesmente porque os homens não conseguem entender o óbvio. Aí agradecem à obra de arte por uma coisa que eles teriam aprendido se ouvissem suas mães, irmãs e avós. Mas não, esperam pra ouvir de um cérebro tão superiormente inferior. Aí pode.

  Certo dia, discutindo com um gramático, eu disse que concordava com as teorias que diziam que o "o" de menino não era desinência de gênero e, sim, vogal temática. Ou melhor, o "o" nem f*&¨% é desinência de gênero. E que a única exceção a essa regra (sempre tem, por isso adoro minha língua, porque me liberta dessas imbecilidades nem que seja por um fiapo de navalha) seria o "o" de feminino. Único gênero que existe. Ponto.

  Concordo também, apesar de não acreditar no espiritismo, que uma mulher nunca pode, em outra encarnação, vir como um homem, a não ser que tenha sido uma mulher muito ruim  na vida e esteja cumprindo um karma fodástico. Mas não preciso ser espírita pra isso. É só ler a orelha do livro do Darwin.

  Virgínia Woolf resolveu minha vida quando escreveu Orlando. Não vou colocar o conteúdo aqui. Mas é sobre um homem que vira mulher num passe de mágica. Não, não vira trans, nem gay, nem travesti, ele vira mulher. E só então entende o que ninguém conseguiu entender com o discurso da Antígona. Aliás, só um velho cego resolveu entender um fato: é irmã e amiga, não é mãe nem esposa. Então, ainda tem algum crédito. Falando em irmão, há pouco ele entra no quarto e diz que é pra eu parar de gritar no telefone que ele não tem culpa da  minha vida e precisa acordar às cinco. Mas aceita grito do sargento e depois vem perguntar por que eu não venho mais pra casa. Só não dou um fora porque ele é lindo e, como irmão pequeno e homem, não sabe porra nenhuma da vida.
  Minha cachorra reclama que eu acordo toda hora e não deixo ela dormir. Ela rosna e faz um barulhinho engraçado quando eu volto pra cama e se esconde debaixo do cobertor pra eu não expulsar ela. Meu cachorro, entretanto, quando eu chego em casa, primeiro ele foge pra rua, depois, na volta, ele me derruba no chão e me morde, como que dizendo: chegou essa hora por quê? Quem mandou você sair? E apesar de ele ter três vezes o tamanho dela, ele perde na briga. É por isso que eu digo, quando minha mãe diz que não quer filhote em casa: castre ele. Ela não tem nada a ver com isso.
 
 Vendo meus cachorros, penso que deve ser por isso que o Camelo namora a debilmental e fofa Malu Magalhães. Lembro quando ele disse: essa menina mudou a minha vida. Ela, com seus 16 anos e vinte e poucos centímetros, deve ter explicado pra ele que não adianta porcaria nenhuma escrever música bonita e ser um cachorro que te derruba no chão e te morde quando você chega em casa. Simplesmente porque o tombo dói e ela pode se quebrar.

 Que nenhum professor ou amigo universitário  me leia, mas hoje, depois da aula do Adorno e três discusrsos políticos, quis jogar todos os meus livros na privada e deixar apenas um. O mais chato, imbecil, fácil e clichê de todos. Clarice Lispector. Aquela doida, que, segundo os psicanalistas, só era assim porque teve problemas com o pai e com o resto dos homens.
É assim que se descobre o quanto sua carreira é piegas.. Quando você se identifica com um livro tão ruim.